Hérnia de Disco

Informações

O que é?

A hérnia de disco é uma condição relativamente comum e pode ocorrer em toda a coluna vertebral. Porém, as localizações mais comuns são na região lombar e na região cervical, locais onde existe maior mobilidade da coluna vertebral.

O disco intervertebral é uma estrutura localizada entre uma vértebra (osso) e outra da coluna; o disco funciona como um “amortecedor” entre as vértebras. Quando parte do disco sai da sua localização normal, acontece a hérnia. Existem diferentes tipos de alteração dos discos interverebrais – abaulamento, protrusão, extrusão, extrusão migrada, fragmento discal sequestrado – como pode-se ver na figura abaixo.

Quando o disco se desloca de sua localização normal, ele pode comprimir estruturas adjacentes, causando inflamação e dor.

A “hérnia” de disco se forma quando ocorre uma ruptura do ânulo fibroso (parte periférica do disco), com extravasamento do núcleo pulposo (parte central do disco). Figuras abaixo.

Ao longo dos anos, todos nós iremos apresentar alguma alteração dos discos intervertebrais. Esse processo progride lentamente e começa com a desidratação do disco, que o torna menos espesso e mais frágil. Esta maior fragilidade do disco favorece o aparecimento das hérnias.

O que causa a hérnia de disco?

As alterações dos discos intervertebrais podem acontecer devido a uma somatória de fatores, que incluem:

  1. Fatores genéticos;
  2. Envelhecimento;
  3. Postura inadequada;
  4. Obesidade;
  5. Esforços repetitivos;
  6. Postura inadequada no trabalho;
  7. Trauma;
  8. Dentre outros.

Quais os sintomas da hérnia de disco?

Os sintomas relacionados às hérnias discais podem incluir:

  • Dor na coluna (que pode ser intensa);
  • Dor com irradiação para outras regiões;
  • Hérnia cervical – irradiação pescoço, ombro, braço e mão;
  • Hérnia dorsal – dor “no meio das costas”, que pode irradiar para o lado e para a parte da frente do tórax;
  • Hernia lombar – irradiação para as nádegas, coxa, perna e pé;
  • Dormência/ formigamento;
  • Sensação de “choque”;
  • Sensação de “travar”;
  • Cãibras.
  • Dificuldade para movimentar o pescoço;
  • Diminuição da força dos braços;
  • Diminuição da força das pernas;
  • Dificuldade para deambular.
  • Perda do controle da bexiga;
  • Perda do controle das fezes;

Como é feito o diagnóstico da hérnia de disco?

O diagnóstico é feito através de anamnese médica detalhada e de exame físico minucioso.

Exames complementares:

Os exames complementares podem nos auxiliar, uma vez que nos conferem um panorama geral de quais estruturas estão lesadas. Entretanto, é preciso ter cuidado com a interpretação dos exames – nem toda estrutura que demonstra alteração em uma ressonância magnética, por exemplo, é responsável pelo quadro doloroso. É preciso uma avaliação médica cuidadosa no sentido de se estabelecer qual a principal fonte de dor do paciente.

Eu diria que os exames complementares são particularmente importantes em alguns cenários:

  1. Casos de dor aguda intensa;
  2. Dor crônica com piora acentuada e repentina;
  3. Dor refratária (que não melhora);
  4. Quando existem sinais de alerta, como febre, perda de peso, déficit neurológico.

Quais exames podem ser solicitados?

Dentre os exames que podem auxiliar no diagnóstico da lombalgia/ lombociatalgia, temos:

  1. Raios-x simples
  2. Raios-x dinâmico
  3. Tomografia computadorizada
  4. Ressonância magnética
  5. Pet-scan
  6. Cintilografia óssea
  7. Eletroneuromiografia
  8. Termografia

Tratamento

O tratamento é individualizado; baseado no diagnóstico de cada paciente.

O objetivo do tratamento é o alívio da dor, o que pode incluir:

  1. Adequação de dieta;
  2. Adequação de sono;
  3. Correção postural e de ergonomia no trabalho;
  4. Prática de exercícios físicos;
  5. Medicamentos;
  6. Fisioterapia;
  7. Procedimentos minimamente invasivos;

Dentre os procedimentos minimamente invasivos, destaco:

  1. Denervação percutânea facetária;
  2. Bloqueio foraminal;
  3. Bloqueio simpático;
  4. Bloqueio do hiato sacral;
  5. Proloterapia;
  6. Ortobiológicos;
  7. Radiofrequência;
  8. Crioneurólise;
  9. Terapia por onda de choque;
  10. Laser de alta intensidade.

Atualmente, a minoria dos pacientes necessita de cirurgia para o tratamento das hérnias de disco.

A boa notícia é que a maioria das hérnias de disco regridem (são “reabsorvidas”) e cicatrizam espontaneamente com o tempo. O período para a reabsorção é muito variável de paciente para paciente, podendo ser de algumas semanas até alguns meses. Em alguns pacientes a reabsorção pode demorar muito, pode evoluir com algumas complicações como calcificação discal/ ligamentar, ou mesmo não acontecer. Por isso, é importantíssimo ter o acompanhamento de um médico especialista.